sábado, 29 de agosto de 2009

Já não prometo nada

Não vou prometer que desta vez não vou passar tanto tempo sem publicar, porque está mais que provado que não sou bom nestas resoluções, não é? LOL

ainda assim, deixo um texto para vos entreter, se me perdoam a ausência tão prolongada.


Parvo?

Não me tomeis por parvo.
É que na noite mais auspiciosa há só uma balbúrdia de sons,
Um concerto de excertos da mesma prosa estapafúrdia
Reverberando em mil esquinas e apertos, a pretos tons.

Uma cacofonia mecânica, pouco propícia
À poesia que,
(Em boa verdade se diga)
menos que divina,
Nada deve à satânica melodia de sirenes da polícia.

Ainda assim, não me tomeis por parvo. Não tomeis de todo.
Se escolher, posso fazer escorrer pelos vossos ouvidos de lodo
A mesma água de rosas, senhores. Diria

“Olhai a bela túnica da noite,
O brilho fresco das searas e da Lua.
Olhai como eu, que olhei tanto que a gastei
E contemplei as cores que tem a noite nua.”

E as rosas choravam todo o orvalho.
E o vento soprava a derradeira sinfonia.
E no mar, a água ria e cantava.
E era a túnica que a noite seduzida, lentamente, despia.
E era o champanhe a borbulhar de entusiasmo.
E era o céu, que explodia num orgasmo, e oh…

É a lua a derreter, com um espasmo.
É o exagero, a hipérbole, a exaltação, o pleonasmo.
É o sol que, de emoção, se faz negrume.
É o fado a gemer, cheio de queixume.
É o povo que se empoleira no estrume.
É o presidente que (meu deus!) saltou do cume.
E os mentecaptos que mergulham um pouco mais
As mentes cativas num poço de betume.

Prefiro a mediocridade em consciência
À excelente deficiência de pintar o mundo de azul-bebé
E admirar a linda roupa que veste
O feio pseudo-recém-nascido.
Prefiro saber que não é para mim notícia
Que o dourado que vedes na noite é o dos postes de luz.
Que, quando muito, é amarelo-mijo, da cor da icterícia.

Mas longe de mim fazer-vos a vida num desgosto.
Longe de mim ser chamado de realista
Só porque tenho o intelecto maldisposto.
E longe de vós a correcção de qualquer conclusão
Que tireis por terdes um poema de fronte da vista.
Por isso, não me tomeis por parvo
Por não achar palavra que rime com parvo.


Miguel de Miguel
Até logo.

4 comentários:

Marta disse...

welcome back!
e que isto não fique pelas ruas da amargura, porque regressaste em grande :)
beijo

Sandra disse...

allo again, não pela primeira vez mikes!
este está bem giro :)

beijinho

Duarte disse...

Mas eu tenho a plena consciência de que entendi e compreendi (talvez até possa dizer assimilei) o que escreveste no meu blog.
Li na vertical o teu texto, querendo por isso dizer que quando tiver "tempo", esse tão relativo, comentarei e falarei das tuas palavras sábias lá para os lados das minhas verdades e mentiras.
um beijo enorme de agradecimento por me teres feito rir,
Patrícia*

Duarte disse...

*Patrícia Duarte
www.verdadesementirasdodia0.blogspot.com

não deixei no certo*