quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Caçadores de Ogres


Há cerca de dois meses atrás, (re)comecei a ler este livro. Ofereceram-mo (já nem me lembro exactamente quem) há um ou dois anos. Como é evidente, o meu primeiro instinto foi devorá-lo sem dó nem piedade, portanto foi parar direitinho à berma da minha cama. Chegada a noite, abro o livro. Em primeiro lugar, reparo que é uma primeira edição (uau...), que foi escrito por um professor italiano de segundo ciclo, já versado em livros infantis. Sinceramente, não me inspira confiança. Começo a ler. A primeira frase introduz um texto que não aparenta qualquer sentido:


Link repete cem mil vezes a palavra "Conexão".
É um ser sofredor e incompleto e só quando tiver associado os mundos que imagina aos reais é que poderá assumir uma verdadeira identidade. (...)


Não copiei o texto na íntegra, mas posso assegurar que o resto não confere a mínima lógica ao transcrito. Após a leitura de mais algumas páginas (e continuando sem perceber patavina), desisto. O livro foi enfiado no armário, bem fundo no meio de outros 600 e tal livros, simplesmente por ser estúpido. E lá amadureceu, como um bom vinho, durante um ano ou dois.


No final do ano passado, sem outra coisa que ler, olho para o livro. "Vamos lá ver..."
Uma coisa é certa. Este não é um livro para crianças. No bom sentido (lol). Perturbador, mas genial!


Graças ao autor, um poema escrito com a "ressaca" do seu livro.


Caçador de Ogres

Tento agarrar-me às minhas mãos,
Desespero, e penso que caio noutro que não eu.
Agarro-o e escapo-me por entre os dedos e arranho-me
Sem nunca me conseguir salvar do pretenso espelho
Que, defronte, me apresenta outro que não eu.

Se sou uno, como posso esquecer-me?
Se olho por estes mesmos olhos,
Como pude alguma vez perder-me?
Falham-me os pés, e caio, e deixo-me para trás,
Mas como, se são meus?

Habituei-me a conhecer quem era
E foi esse o maior pecado.
Esperando o que havia de fazer, analisei-me,
Existi antes da licença de existir
E fui dois. Fui mais.
Assim, pelo menos, achei. Assim me perdi.

Cansado de todas as contas,
De todas as ocultas variáveis,
De tentar prever coisas que são indomáveis,
Estou Cansado de fazer.
E, sempre, continuar, saber que sempre continuarei.

De saber que não sofri o suficiente,
Que as minhas dores não me deram ainda todas as armas,
De perder o certo pelo incerto
Pelo orgulho de dizer que tentei,
De saber que não me vou arrepender.

Cansado das saudades de quando era só um sonho,
Saudades da vontade pura, da previsão.
De amar.
De quando tudo era limpo e pronto para começar,
Quando tudo podia ainda ser perfeito,
De quando sabia que sim.

Quando tudo falhou, gosto de ser dois.
Quando acabou para mim,
Que seja o do papel a perder tudo.
Que tudo acabe para ele.
Que tudo, então, recomece. Está sol.




(peço desculpa pelo tamanho LOL)

Até logo

4 comentários:

Marta disse...

vais ter que ser mais persuasivo, não estou totalmente convencida... sorry! :P

beijo

miguel, miguel miguel disse...

tens mesmo é que ler o livro x)

Sandra disse...

realmente, eu também não fiquei lá muito convencidaa.. :o masss, erm erm. Ai sim?
Atreve-te a gozar do Mantorras a ver o que te acontece, LOL.

(Olá, lembro-me claro :b) *

Anónimo disse...

gosto, gosto :D